
Eu sou a Patty Bolzani, idealizadora da Academia de Pães. Sou publicitária de formação e profissão. Mas nesse espaço, eu vou dividir um grande prazer: o fazer pão em casa.
A minha formação como padeira passou por muitas fases, desde a mais pura curiosidade até os cursos estruturados muito bem administrados por padeiros nacionais e internacionais.
Como a maioria dos brasileiros, eu venho de uma família de imigrantes, da Itália e da Alemanha, essas origens você percebe facilmente nas minhas receitas favoritas. Eu aprendi a cozinhar com minhas avós e saí ganhando com essa mistura de influências.
Nasci e cresci em São Paulo, numa casa muito movimentada. Éramos 4 filhos, mais gato, cachorro, periquito, papagaio e agregados como era comum na classe média da época.
Nunca gostei muito da exposição pessoal. Desde o tempo de escola, sempre preferi me manter fora do foco das atenções. Essa experiência com a Academia de Pães está sendo uma verdadeira quebra de paradigmas para mim. Portanto, me dá um desconto se às vezes eu der a impressão de querer me esconder debaixo da bancada. Não é impressão.
O pão artesanal, o pão caseiro mais especificamente me fisgou por muitas razões, além do sabor, é claro. Eu adoro a sensação de aprender uma coisa nova, mergulhar num universo que eu não conheço, e a panificação para mim era isso. Uma atividade que beirava a magia que transformava 4 elementos em uma das coisas que eu mais gosto de comer na vida: um bom pão. Sabores, formatos, aromas tudo era novo para mim. Perceber a mistura ir se transformando numa massa e essa num pão era quase hipnótico para mim. Aliás, é até hoje.
Não que fazer pão em casa seja complicado ou trabalhoso. Acredite, não é. Uma vez que a gente eduque os sentidos para trabalhar e ler os sinais da massa, fica tudo muito claro, lógico até.
Muito antes de me aventurar com a fermentação natural, eu precisei quebrar um certo preconceito que tinha com o fermento biológico. Erroneamente, eu acreditava que era um atalho para o “pão de verdade”. Ignorância pura. A experiência tratou de enterrar qualquer reserva que eu tivesse a respeito. Vi padeiros fabulosos trabalharem com perfeição com os dois tipos de fermentação e tratei de aprender.
Esse é o outro ponto que me prendeu na bancada. O aprendizado. Na panificação o aprendizado nunca termina. Cada fornada guarda em si seu próprio desafio, suas próprias variáveis. Quando eu entendi que não precisa dominá-las, mas aprender a lidar com elas, os meus resultados deram um salto gigantesco e esse processo se mantem até hoje, tantos anos depois da primeira fornada.
Trazer esses resultados para a cozinha doméstica foi um trabalho de formiguinha. Eu precisei rever o meu repertório e testar receita a receita, ou melhor, fórmula a fórmula como se diz na padaria, para fazer as adaptações necessárias para o ambiente não profissional dos cursos e escolas.
Para colocar a Academia no ar, eu conto com uma equipe enxuta e supereficiente. Somos 3 ao todo. O Adriano que cuida das filmagens, fotos e edições, a Silvia que cuida de toda a estratégia das mídias sociais e eu, a padeira. Eu sei que fiquei com a melhor parte, mas é a vida.
A Academia de Pães é o resultado desse verdadeiro trabalho em equipe. Ela foi criada para dividir com quem quiser botar a mão na massa junto comigo, esse grande prazer. As melhores técnicas, as melhores fórmulas que eu encontrei foram testadas e adaptadas para fazer bonito aí na sua cozinha, com equipamentos comuns – não profissionais.
Eu espero que você também se deixe seduzir pela experiência de por a mão na massa como um todo. Além de sabores que alimentam a nossa alma, você vai levar todos os seus sentidos a um outro patamar.
Desafie-se.
É muito bom descobrir novos talentos.
Isso nos mantêm vivos, nos mantêm saudáveis de corpo e alma.
Beijos
Patty
